No artigo “A eliminação da metafísica por meio da análise lógica da linguagem“ o filósofo
alemão¹ Rudolf Carnap (1891-1970) afirma a tese que todas as frases da metafísica são
“inteiramente sem significado“². Portanto ele anuncia conseqüentemente a eliminação da metafísica. Pois, Carnap tenta de comprovar a sua tese por meio da análise do termo ’significado’ e da análise da origem de pseudo-enunciados na língua natural e na metafísica. Além disso, Carnap carateriza a metafísica como meio inadequado para expressar atitudes gerais de pessoas em relação à vida (“Lebensgefühl” no original alemão) e entra na questão sobre a importância da filosofia na ciência.
Já no título, Carnap usa a palavra patética ‘eliminação’ para indicar que a proposição
afirmada da sua tese, não é apenas um conhecimento mero a posteriori, mas um conhecimento a priori ou melhor metalógico – um conhecimento „por meio da análise lógica da linguagem“.
O objetivo desse resumo é por um lado descrever os argumentos que Carnap presenta em favor da sua tese, e por outro lado de explicar, o que é implicado. Rudolf Carnap era um dos principais representantes do Círculo de Viena. Por causa disso não admira que ele utiliza o método da análise lógica da linguagem para ganhar conhecimento. Primeiro, Carnap esclarece qual sentido de ’sem significado’ ele quer usar (o sentido estrito) e explica que “[n]o sentido estrito, contudo, uma seqüência de palavras é sem significado se ela não constitui, dentro de uma linguagem específica, um enunciado“. Segundo Carnap tais frases se chamam ‘Scheinsätze’ (em Português ‘pseudo-enunciados’), eles têm uma forma gramaticalmente certa, mas não expressam uma proposição. Em geral Carnap diferencia entre dois tipos de pseudo-enunciados:
(a) frases que violentam a sintaxe lógico e
(b) frases que contém palavras sem significado.
No caso de (a) o origem do problema é que a sintaxe da língua natural é mais permitiva do que sintaxe lógico. A sintaxe lógica, que é mais preciso e rigoroso, distingue mais sutil entre categorias semânticas que são fundamentalmente diferente. Ao contrario, a sintaxe da língua natural confusa os tipos lógicos de vez em quanto. Conseqüentemente é por isso que a gramatica da língua natural permite pseudo-enunciados – frases que são contra-lógico e sem significado.
A outra causa da formação de um “Scheinsatz” é caso (b), o caso que palavras especificas, contudo em um enunciado lógico-sintaticamente correto, não possuem significado. Evidentemente é preciso investigar, como Carnap explica que uma palavra pode perder significado sem receber no mesmo momento um outro, um novo sentido. Conseguintemente Carnap se ocupa com a pergunta: “[o] que é, então o significado de uma palavra?“ e ele responda-la na maneira típica para o positivismo lógico³. Ele afirma que uma palavra ‘X’ somente tem um significado, se “os critérios empíricos são conhecidos” e isso significa simplesmente que é possível dizer sob as quais condições as frases que contêm ‘X’ são verdadeiras e sob as quais condições eles são falsas. Vimos que na vista de Carnap todas as frases da metafísica não têm nenhum sentido, ou por causa de (a) ou por causa de (b). Mas o que é exatamente, o que ele quer dizer quando ele fala da eliminação da metafísica? Em qual sentido Carnap usa a palavra metafísica? A resposta está escrita explicitamente no artigo: a tarefa que a metafísica se coloca é “descobrir e formular um tipo de conhecimento que não é accessível à ciência empírica“. Se essa definição de metafísica é aceptada, a tese de Carnap – que todas as frases da metafísica são inteiramente sem significado - é trivialmente satisfeita:
Se a (1) metafísica se trata exclusivamente do inaccessível por meia da ciência empírica;
e se (2) o critério de sentido depende das observações da ciência empírica; daí resulta que (3) a metafísica tem inteiramente falta de sentido.
Depois de ter presentado a idéia principal do artigo de Carnap, ainda é necessário resumir também os aspetos restando mencionados na introdução deste resumo e tratados no artigo mesmo. Então, o que é o valor da metafísica e o que é o valor da filosofia sem metafísica? Essa pergunta é sem duvida retórica e a resposta é obvia: a metafísica não tem valor e isso implica que grandes partes da filosofia (Como a axiologia em si) também não têm. Segundo Carnap a filosofia se degrada factualmente para um método, para o método da analise logica. Este método consiste da verificação da consistência das relações entre proposições cientificas e da análise da dedução valida. A verdade ou falsidade das proposições das teorias cientificas, porem, depende da verificação das axiomas das teorias que contem as proposições e essa verificação não é filosófica, é uma observação empírico e com isso tarefa da ciência mesmo.
¹ Carnap tornou-se um cidadão naturalizado dos Estados Unidos da América em 1941 e escreveu partes da sua obra em inglês. Por isso Carnap pode ser visto de ter sido americano também.
² „A eliminação da metafísica por meio da análise lógica da linguagem“, Rudolf Carnap, 1932, Tradução de Marcos Rodrigues Silva, Filosofia/UEL, p. 2.
³ Típico porque o positivismo lógico exija, como Carnap, que os afirmações das teorias cientificas são verificável por observação ou em compensação reduzível para frases protocolares que são outra vez verificável por observação.